segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Maconha, sem rodeios.


Dizer que a legalização da maconha seria a salvação da humanidade é errado, mas também não podemos ser hipócritas a ponto de dizer que não iria trazer benefícios ao próprio homem. Grandes avanços foram dados na Idade Média graças a ela, a fibra que era retirada do caule da erva foi essencial na construção de embarcações, cordas e tecidos, que foram ferramentas essenciais para a descoberta da América. Cristóvão Colombo atravessou o Oceano Atlântico com 80 toneladas de cânhamo que foram utilizadas na construção de sua caravela.

Dizer que a maconha não faz mal à saúde seria uma estupidez, mas seria também estupidez afirmar que uma pessoa acometida pelo câncer e faça quimioterapia – sofrendo os piores enjôos e dores – afirme que, mesmo tendo outras drogas a seu dispor para evitar seu sofrimento, a Cannabis é a que obtém os melhores resultados? Ou ainda com uma pessoa que sofre de esclerose múltipla (doença degenerativa) e vive com seus fortes espasmos musculares e tem seu sistema urinário e gastrintestinal funcionando de maneira deficiente afirma que o sofrimento só é amenizado usando a erva. E as mulheres que sofrem com terríveis cólicas menstruais também podem usar a Cannabis como analgésico para apaziguar o sofrimento.

O preconceito quanto à utilização da maconha ainda é muito grande no Brasil, mas muitas pessoas ainda não sabem o porquê, pessoas que têm sua opinião facilmente manipulada por quem faz a informação. A maconha é proibida no Brasil por pura questão ideológica. Ao buscarmos nossa igualdade em relação a nossos irmãos norte-americanos, copiando vários aspectos e regras de sua sociedade, nem a maconha escapou, ela é proibida também por preconceito. Preconceito contra os negros, escravos e povos asiáticos que usavam a erva para fins relaxantes e medicinais. Foi mais fácil assim, deixar de estudar quais seriam os reais efeitos e o que seria bom e mal, e qual opção seria melhor entre álcool e maconha, deixando todas essas questões de lado e apenas seguindo o procedimento de copiar a cultura dos Estados Unidos, que já tinha definições de o que era legal e ilegal em sua constituição o uso da maconha continua proibido.


Além do uso popular, a maconha ainda tem muitas outras utilidades: a produção de papel e tecido, através da fibra do cânhamo, além de plásticos e medicamentos. Com isso todos sairiam ganhando, a Evolução, a População e o Governo, já que teria recolhimento de impostos. Quanto à legalização para usuários o governo também teria sua parcela de lucro, desde quando fosse legalizada, passaria a fazer parte da receita do Governo e não do tráfico. Seria preciso também que se criasse um núcleo para quem futuramente quisesse abandonar o vício, assim como o “Disque Deixe de Fumar” visível em todos os maços de cigarro atualmente.


Por que não adotar medidas como a Holanda que, na década de 70, autorizou lojas de café a comercializar a “erva”, tirando-a das mãos dos traficantes e dificultando o acesso a outras drogas, como a heroína, cocaína, que tiveram seu número de usuários reduzidos, pois só seriam encontradas no tráfico. A legalização da maconha seria uma das soluções para o problema do tráfico e do preconceito, pois o preconceito contra o usuário já está expresso desde o momento em que ele vai buscar a droga em “quebradas e baixadas” e corre o risco ainda de não achar a sua “erva” e de sair de lá com outra droga, muito mais pesada que seria oferecida pelo traficante. Com a legalização da maconha, o tráfico só seria procurado por quem fizesse o uso dessas drogas pesadas, pois a maconha poderia ser comprada em bares, ou em qualquer estabelecimento próprio.


E o que dizer do solo do Nordeste? Atualmente pouco se planta na área mais quente do País, área que poderia ser melhor utilizada, pois possui a melhor condição para o cultivo da planta. Com a legalização, a maconha não estaria tirando o espaço destinado à plantação de alimentos, já que estaria sendo plantada em uma área que pouco ajuda com essa demanda de recursos. E olha só... biocombustível de maconha? Assim a monocultura da cana perderia um pouco do seu espaço também e o solo não sofreria as consequências que apenas o cultivo da cana pode expor.


Alternativas são dadas para serem estudadas. Já foi a época em que buscávamos nos igualar a uma nação de ponta e copiar seus hábitos. Hoje já temos a consciência e certeza que podemos ser mais. Não podemos culpar os Estados Unidos por não terem legalizado a droga em seu território, para, conseqüentemente copiarmos sua ilegalidade, a culpa é mesmo do Brasil, que, historicamente sofre com a falta de audácia e imaginação. Estamos acostumados a trilhar um caminho autorizado pelos outros e deixamos de apontar nosso próprio caminho. O principal obstáculo para isso é nossa falta de clareza e de confiança sobre a nossa originalidade coletiva, o nosso papel no mundo.



2 comentários:

Rogério Xis. disse...

Seria bom pra todos a legalização da "Cannabis", geraria impostos e mais empregos. A pior droga todos sabem que é o alcool e isso ninguém pode negar ou arrastar a sujeira pra debaixo do tapete. Muita hipocrisia e dinheiro em jogo, afinal, a indústria da cerveja e do tabaco movimentam muito dinheiro e o pior com o apoio do governo... Chegou a hora disso mudar!!! Bom artigo Apoene...
Abração!!!

Thita disse...

Eu sou a favor da legalização... Concordo que todos sairiam ganhando com isso, só acho que antes de mais nada seria bom que houvesse uma consciêntização sobre o uso de drogas, sejam elas licitas ou ilicitas...
Realmente é muito hipocrizia dizer que a maconha só faz mal enquanto o alcoo é vendido a larga escala... Fora que remédio também é droga, televisão também é droga, etc...
Gostei do texto!!
E como gosto muito do seu blog e sempre que posso dou uma olhadinha nele te add na minha lista de blogs que eu leio...